domingo, 12 de abril de 2015

Nunca escondi o rosto do meu filho, mas penso na segurança, diz Sandy

Assim como Mariquinha, personagem da música que ela cantava com o irmão Júnior no início dos anos 1990, Sandy não quer abrir a porta.

"Da porta pra fora, eu dou a minha carreira, a minha profissão. Da porta pra dentro, é minha vida", diz ela ao repórter Joelmir Tavares, ditando a regra que impõe hoje para a curiosidade do público e da imprensa.

A cantora de 32 anos, que cresceu sob os olhares dos fãs, experimenta já há algum tempo certa tranquilidade quando o assunto é assédio, fofoca, exposição. Parte pela opção de continuar morando distante do circuito dos paparazzi, em Campinas (a 93 km de SP). Sentada num fim de tarde de quinta-feira em um restaurante da cidade, ela calcula que 80% dos que pedem "selfies" com ela no município são turistas.

É de sua cidade natal que a partir deste domingo (12) ela vai viajar ao Rio toda semana para participar ao vivo, como jurada, do "SuperStar". Na nova temporada do programa dominical da Globo, a filha do sertanejo Xororó substitui Ivete Sangalo, que chegou a ter a permanência no júri anunciada, mas depois saiu, "em decisão mútua com a emissora", segundo o canal.




É o retorno de Sandy ao trabalho desde o nascimento do primeiro filho, Theo, em junho. Do bebê, fruto do casamento de seis anos com o também músico Lucas Lima, 32, a mãe expôs até hoje só as unhas. Foi em uma foto publicada em seu Instagram poucos dias após o parto.

Em fevereiro, um fã conseguiu clicar o menino de longe, dentro de um carro, e pôs a imagem na internet. "A gente nunca escondeu o rosto dele", ela diz. Lembra que viajou para Orlando (EUA) com a família. "E lá só tem brasileiro! Mas as pessoas estão respeitando a nossa vontade. Ele é só o nosso bebezinho. Não tem nada a ver com nossa fama. E penso na segurança."

Com um sorriso permanente, a mesma voz doce da infância e um português correto, a cantora formada em letras carrega nos diminutivos ao falar do filho. "Ele tá na fase mais engraçadinha, fofa, gostosa do mundo. Engatinhando, dando tchauzinho, batendo palminha, falando 'mamã', 'papá'."

Theo, que só come papinha "caseira, natural e orgânica, saudável que nem a mãe dele", deve ficar em casa enquanto ela estiver trabalhando na Globo. Vão passar um ou dois dias separados. No fim de março, por causa da entrevista coletiva da atração, no Rio, eles se distanciaram por mais de três horas pela primeira vez. "E eu fiz dois FaceTimes [chamadas de vídeo pelo celular] com a minha mãe para poder vê-lo."

Noely, a avó, foi quem tirou a foto do menino sorridente, de roupa branca, que enfeita a tela inicial do iPhone de Sandy. Elas são vizinhas em um condomínio perto do restaurante onde a cantora marcou a conversa com a Folha. Pediu que o encontro não fosse acompanhado por fotógrafo –a Globo enviaria uma imagem dela. "Só porque ia ser mais rápido", disse.

Maquiada ("Sei que se botar o nariz para fora de casa vão pedir para tirar uma foto comigo"), usando óculos de armação marrom para corrigir um leve astigmatismo e vestindo blusa decotada e short jeans, ela pede só uma água. E conta que ainda não perdeu os 7,5 kg ganhos na gestação. "Tô 1,5 kg ou 2 kg acima do ideal. Mas não sei se volto aos 41,5 kg de antes", diz ela, pessoalmente mais franzina do que aparenta na TV.

Pratica boxe há oito anos (é também fã de MMA) e faz musculação. Dá preferência a alimentos orgânicos e evita o açúcar. "Deixo para enfiar um pouquinho o pé na jaca no fim de semana, porque a gente tem que ser feliz, né?!" Mas pensa em perder "mais um meio quilo". "Na TV fico cheinha. Ela engorda 5 kg! E o povo tá pronto para criticar, falar mal... Ai, meu Deus!"

Aponta para uma foto do rosto dela que surge repentinamente na TV do restaurante: "Olha eu ali!". É uma notícia sobre a declaração de Paulo Ricardo, colega dela no júri do programa, de que "pensar em sexualidade com a Sandy é quase pedofilia" porque ela surgiu "criança para o olho do público". A cantora gargalha meio sem jeito. "É verdade. Ele está certo! Eu entendo, eu entendo..."

Se não consegue controlar a circulação da própria imagem, a artista acredita ao menos ter aprendido a lidar com as críticas –ignorando-as, basicamente. Mas comentários na internet ainda a assustam. "Os 'haters' [pessoas que só falam mal] são às vezes a maioria. Porque quem tem só coisa boa para pensar guarda para si."

Diz que notícias a seu respeito pouco a interessam. "Já inventaram mil mentiras sobre mim e meu irmão." Cita como exemplos as vezes em que foi dito que ela tinha leucemia e que Júnior estava numa clínica de reabilitação.

E também as especulações sobre a sexualidade dele. "Ficava aborrecido, bravo", relembra ela. "Era um adolescente, com hormônios a mil, que tinha mil namoradinhas, e aí de vez em quando alguém maldoso soltava uma notícia dizendo que ele era gay. Não era legal para ele."

Com o fim da dupla, em 2007, "sobrou só a relação de irmão". Júnior, que mora em São Paulo, recebe pelo WhatsApp vídeos do sobrinho e "morre de amores". Quando visita a família, às vezes pega o violão e canta com a irmã em casa. Mas um retorno da parceria, diz ela, está descartado.

Sandy fala que se sente feliz. Administra a rotina da família, embora "deteste" ser dona de casa. Tem babá e outras duas empregadas. "Óbvio que eu ia ter mais tranquilidade se tivesse uma supergovernanta que fizesse tudo e eu não precisasse nem ver que a plantinha está secando e precisa molhar. Ia ser menos estressante. Mas acho que muita gente dentro de casa... Não sei. Prefiro uma vida mais normalzinha, sabe?"

A noite cai, o frio desce, e a cantora começa a olhar o celular. São 18h30. O filho deve estar acordando da soneca. "Vou voltar, dar jantinha pro meu pequenininho." Theo parou de mamar aos sete meses. Na noite anterior, ela ficou uma hora e meia tentando fazê-lo dormir, até as 23h10.

Depois da chegada do garoto, as idas semanais ao cinema com Lucas escassearam. "Sobra menos tempo para o casal. Mas acho que é uma fase. O bebê só vai ser bebê uma vez na vida. Agora o que faz a gente mais feliz não é ir ao cinema. É ficar com ele. E eu não quero perder nada."

Mas os dois, conta ela, abrem exceções. Às vezes deixam o filho com Noely e saem, nem que seja para"tomar um café juntinho à tarde ou jantar rapidinho, para não deixar o relacionamento esfriar".

Recentemente, valeram-se dos préstimos da avó para verem um filme sozinhos em casa. Escolheram um longa americano que estreou nos cinemas no ano passado, "Garota Exemplar". 





CRÉDITOS: FOLHA

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